terça-feira, 28 de dezembro de 2010

(Eu Danço a) Valsa Brasileira

Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Revelação

Compensei a tua ausência, mais uma vez, com minha câmera fotográfica em punho. Desejava assistir ao "milagre das noites de Natal" enquadrando sorrisos, poses e a minha ignorância. Ah, como sinto tua falta! 
Sou alguém que parece não fazer falta a ninguém, mas a minha câmera sim. Gostaria de dizer que consegui enxergar através da lente o quanto as personagens que compuseram aquele cenário possuem uma beleza incomum. Acho incrível como conseguimos retratar os anjos e os demônios que cada um trouxe consigo. Tão óbvio isto! E eu que pensava que seria a única capaz de revelá-los através do seu olhar. Ainda sou fraca e disforme. Torno-me ainda mais sensível com estes objetos por perto e o que faço é tentar traduzir o que sinto através das imagens... um desperdício, só enxergam as deformidades de seus próprios narizes.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Papai Noel sacana!

Há alguns anos recebi do bom velhinho uma pá de lixo, vassoura e esfregões. Confesso ter xingado demais aquele velho. Puta que pariu! Quem disse que utensílios de limpeza fazem parte da lista de desejos de qualquer ser humano? Não é possível que ele esteve ocupado tanto tempo atendendo aos demais pedidos e, justo na minha vez, teria feito aquela cagada de me empurrar objetos que não fizeram o menor sentido.

Passou-se mais um ano. Nem carta escrevi para o desgraçado, esperei a sorte. E a sorte não veio! Pior que isso, ao voltar para a casa de mãos vazias, percebi que todos os tapetes de minha casa haviam sido removidos. Imaginem um ambiente aparentemente em ordem que, misteriosamente, virou de ponta cabeça. Onde haviam tapetes, brotaram toda a sujeira que joguei alí durante anos consecutivos. 

Minha reação não poderia menos revoltante que antes. Xingar o velho caduco parecia pouco. Por que comigo? Há tantos escondendo dinheiro em cuecas, desviando dinheiro de remédio para comprar carro importado, por que EU deveria mexer naquelas feridas expostas sem o apoio de ninguém? 

Depois de tanto tropeçar nos objetos velhos, anotações antigas, poeira e foligem percebi a necessidade da vassoura, pá de lixo e o esfregão. Minhas mãos e joelhos agora estão esfolados, mas a casa está limpa! Confesso estar desconfiada ainda e decidi não escrever nenhuma carta para o velho metido a boa praça novamente.

De uma coisa eu sei: fui uma boa garota e fiz toda a lição de casa no último ano. Agora só depende dele.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Tua

Composição: Adriana Calcanhotto
Dentro da noite voraz
Detrás do avesso do véu
Atravessa este verso
A vontade nua
Tua, tua
Tua e só tua
Dentro da noite feroz
No breu das noites brancas de hotel
No clarão, no vasto, no vago
No vão, no não, na multidão
Tua, tua
Tua e só tua
Dentro da noite fulgás
Estrelas a se consumir
Arde o gás que faz esta canção
Será que você vai me ouvir?
Tua, tua
Tua e só tua
Na areia, na neve marinha
No dentro do dia, tua
Na areia, na neve marinha
No motor do dia, tua
Tua, tua
Tua e só tua