domingo, 31 de outubro de 2010

Ciência da Caverna

Os gritos dentro de um espaço sem ar
não circulam e não reverberam. 
Física pura! 

Se ao menos tivesse coragem para abrir uma dessas janelas.
Se a covardia não impedisse de gritar o que está ausente. 
Quem dirá a ponta dos dedos macios que acariciam o vácuo? 
Projetam-se sombras, mas as palavras não. 
Dissolução.

Deste contorno de face, 
destas rugas aparentes e olhar cintilante... 
sombra alguma fará diferença. 

Permanece em clausura por conta própria. 
Dieta composta de memória e sal: sorriso e lágrima. 
Química pura! 





sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pena (paródia d'O Teatro Mágico)

Quando assisti Fernando Anitelli explicando o porquê da letra "Pena", senti-me uma palhaça também. Todo professor, assim como um bom artista, tem de passar por muitas pelejas e perrengues para mostrar o seu valor!

Aqui vai a minha versão da Educação Pública Estadual de SP. Gostaria que o resultado fosse um pouco mais otimista, mas o que sinto agora é exatamente o contrário:

O professor pena quando cai a nota
E a nota cai
sala de aula é retrocesso
Assunto batido, eu confesso
SARESP traduzido em cédula
E a cédula, gente, não dá nem pra feira!


O coordenador pena quando cai a nota 
E a nota cai
Se está na profissão certa? É tarde pra ter opção?
A prova impressa cobra mais que a fala
Só enxergam o "X" no lugar do cidadão


E quando ele se formar
Deixa se virar a sós
A escola só enfeita
A urna aceita
Voto de quem não sabe se informar


E o meu diploma acho que vou rasgar!!! (4x)


O diretor pena quando cai a nota 
E a nota cai
O tráfico e o sexo
Entre a matrícula e a expulsão
Acolhimento é melhor que cela
Melhor na escola do que virar ladrão


O supervisor pena quando cai a nota
E a nota cai
Planilhas de notas. Notas? E a reflexão? 
Visitas, relatos, obras
A estatística no lugar do cidadão


E quando ele se formar
Deixa se virar a sós
A escola só enfeita
A urna aceita
Voto de quem não sabe se informar

E o meu diploma acho que vou rasgar!!! (4x)

domingo, 10 de outubro de 2010

Aconteça!

Distância é algo que não se escolhe
- "Acontece"
A vida que guardava naquele ventre também escolheu:
- "Não quero acontecer!"


Próximo aos holofotes,
Quem sobrevive aqui são os fortes
(ou os que sabem fingir)
Guardou as lágrimas, mas não sabe fingir:
- Acontece!


O sabor de pedra daqueles lábios
é de despedida de quem não sabe partir
A agressividade que emana dos olhos
é convite:
- Aconteça!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Adeus, Ogum.

Chegou vestido de psicodelia autodefensiva
Era dono de olhar pontiagudo
Sorriso sarcástico

Parceiro para conversas sem nexo
fez-se entender rapidamente: "Estou de passagem!"
Desejei (confesso) fazê-lo mudar de ideia...

Ele partiu.

o diálogo obtuso,
o palavrão sussurrado,
o espelho quebrado,
o manequim despido...

Aqui permanecem

as flores
as dores
as memórias
as fotografias

Missão cumprida, cavalheiro!
A beleza emoldurada através de teus olhos
Finalmente é revelada por tua lâmina.

Para ouvir: São Jorge de Kiko Dinucci & Juçara Marçal