domingo, 13 de dezembro de 2009

Sai, Neura!

Minha amiga Neura é daquelas que aparecem em minha casa logo pela manhã, fala pelos cotovelos e não dá a mínima para as minhas obrigações ou anseios.
Pergunto-me diariamente onde estava com a cabeça quando resolvi deixar essa mulher entrar na minha vida e tomar conta de todos os assuntos que só dizem respeito à mim. Mais ridícula, imparcial e problemática ainda não conheci!
Sei que em muitos momentos ela acerta em suas previsões e passo a considerá-la com mais empatia e até chamá-la carinhosamente de Dona Intuição. O problema é que nem sempre tenho paciência em esperar os resultados e já chuto o balde. Volta e meia arrependo-me e passo um bom tempo recolhendo a sujeira que ficou no chão e a minha amiga bate no peito orgulhosa, dá belas gargalhadas e, como se não bastasse, continua sussurrando amargamente em meus ouvidos enquanto estou de joelhos.
Quando anoitece, esta maldita resolve cantar com aquela voz de contralto melancólica dentro do meu quarto fazendo com que eu me convença do quanto fui, sou e continuarei sendo uma grande idiota.
Adormeço algumas vezes com grandes nódulos na garganta, um choro preso irremediável e algumas migalhas de consolo cedidas por outra amiga, a Solidão. Entre um pesadelo e outro, por vezes, sou presenteada por sonhos e sensações indescritíveis. A maioria das vezes é quando o outro amigo, Don Coração, resolve contar histórias antigas, faz pouco caso de quem só aparece por aqui para perturbar e finalmente sinto-me viva e feliz novamente.
Mais um dia nascerá e a ordem será: "SAI, NEURA!"

sábado, 12 de dezembro de 2009

Compulsão

Tenho observado alguns hábitos compulsivos: alimentação, bebida, dança, pensamentos libidinosos. Nenhum desses hábitos me preocupa demasiadamente, porque nenhum deles tem me roubado a alma. A compulsão que mais me preocupa neste momento é a frequência com que seu nome se repete em minha mente.
Não há objeto, palavra, música ou qualquer outra ação que não me faça lembrar de seu nome. Digo, penso, medito... Algumas sílabas repetidas com tanta naturalidade, que me parecem ser um mantra. Uma prece constante que me faz um bem inigualável. Tua pele, teu sorriso, tua boca, tuas palavras. Você!
Demorou um tempo para que encontrasse um caminho, bati em algumas portas erradas até chegar aqui. Nunca soube com precisão o que realmente desejava, mas hoje, tudo o que eu quero para a minha vida é você!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Chega perto?

Corre aqui, dá um abraço bem apertado, vai? Pára com essa mania de frieza inconsistente e me dê um colo. Chega só um pouco mais perto e deixe-me sentir o teu cheiro. Já me vesti de vadia, puta alucinada, amiga compreensiva, mas hoje sou só uma mulher que precisa de atenção e carinho. Sei que é capaz de me oferecer muito mais que isso. Ofereço-te mais que nudez, estou sem disfarce algum, pode me enxergar?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quente e Frio, somente

Acordei com a sensação de que tudo não passou só de uma noite. Que o universo que criei foi bastante inovador, mas não passará de uma noite. O que devia estar pulsando fortemente, hoje não passa de vaga e morna lembrança dentro de mim. Acredito que este seja o estágio de se desapaixonar ou como chamam por aí "botar um gelo". Não há o morno. Há somente o quente e o frio. Não há possibilidades. Há o sim e o não. Não há o ontem, muito menos o amanhã. Quero saber de você agora!