sábado, 14 de novembro de 2009

Vênus em Peixes

"O regido por Vênus em Peixes é alguém que acredita no amor ideal.
Esta é sua força e sua fraqueza."

Sou Vênus em Peixes assumida. Fantasio e namoro apenas as ideias, as poucas intenções contidas nos mais sutis gestos. A extensão dos pequenos atos chega a ser imensurável quando tocam este coração que insiste não utilizar colete à prova de tentações. Faço e me moldo aos impulsos - meus e os alheios também -, sensível ao olhar, ao toque, ao sorriso... ao silêncio. Queria eu poder transformar isso tudo, através de ágeis pincéis, imagens estáticas que transmitissem o movimento e o pulsar de beleza e vida que enxergo e vivencio ao lado daqueles que amo tanto. Vivo prazer em sua intensidade e não em quantidade, mas não me importaria nem um pouco se você batesse em minha porta diariamente e me deixasse repousar em teu largo abraço.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Voltas

Mãe de Deus! Esse mundo dá mesmo voltas, muitas e muitas delas! Digo isso porque hoje vivi um imenso flash back de uma história que não aconteceu durante oito anos. Tinha somente 18 aninhos quanto tudo poderia ter começado. Tantas travas, tantos pudores e regras que só me permitiram fazer uma coisa fora dos padrões: conhecer pessoalmente o primeiro virtual que havia mexido com minhas emoções. Mas ficamos por aí. Nos conhecemos, e isso não passou de uma hora em pé, um olhando pro outro falando generalidades. O momento passou, a vida passou, ele saiu do país e eu fiquei aqui. Recebia periodicamente notícias do lugar que mais desejo conhecer - Espanha - ouvia críticas imensas sobre o regime político, as pessoas e a falta do companheirismo e jeito brasileiro.
Fizemos nossas opções e decidimos não manter mais contato. O mundo precisou dar duas voltas em torno do Sol, as tardes de novembro parecem ser as mesmas de quando recebia telefonemas de tão distante. Hoje me lembrei destas voltas, dos sorrisos, das discussões, das distâncias, mas principalmente de tua presença. Um amigo distante, de olhos abertos e atentos para além do horizonte, mas que eu não pude enxergar em tempo.
Dei algumas voltas aqui sozinha, alguns outros amigos apareceram com algumas lentes para ampliar aquilo que já tinha perdido de vista. Já passou. Mas a brisa desta tarde hoje em minha pele só me faz lembrar do dia em que partiu.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A internet, o escurinho e o bêbado

Ser chamado de louco a todo momento pelos amigos e familiares é uma coisa, outra bem diferente é reconhecer em suas atitudes que algo não anda muito bem. Tinha um compromisso marcado para as 22h30 na Vila Madalena e como é de costume, estava enrolando para sair de casa, pois a internet e todos os seus recursos de interatividade muitas vezes são mais interessantes que o trânsito. Para minha sorte (ou azar?) acabou a luz em meu bairro. Automaticamente peguei minha bolsa e documentos e saí de casa. Imagina que ficaria aqui. literalmente sozinha?
Imaginava que a falta de energia fosse algo bem pontual, mas à medida que me distanciava de casa e nada de enxergar a luz que não fossem dos automóveis começou a me deixar preocupada, mas voltar para casa não era algo que nem passava pela minha cabeça. Queria saber até onde esta escuridão teria fim.
Para minha tristeza, não teve fim! Cheguei até o local combinado após ter ultrapassado cruzamentos imensos com a ajuda de caminhões e ônibus – quem tem coragem de fechar um automóvel deste tamanho? – pois meu carro, de tão pequeno que é dificilmente imporia um pouco de respeito aos demais nesta guerra declarada entre os automóveis.
Estacionamento fechado, pessoas nas ruas e o silêncio. Celular? Nada de sinal, seria a minha operadora ou a dos outros que não vive? Respondi esta pergunta quase que imediatamente, meu celular tocou. Era uma amiga que mora a 20km de minha casa dizendo que por lá também não havia energia elétrica e havia rumores de que em outros estados também sofriam com o blackout.
Que droga! A gasolina que havia no meu carro não seria o suficiente então para saber até onde esta escuridão acabaria. O jeito era voltar pra casa e me conformar com o silêncio dos meus pensamentos.
Entre um cruzamento e outro, pensei em coisas absurdas e gargalhava: “E agora? Quem vai twittar o Apocalipse?”, “Quem escreverá um post sobre o que sentiu e em quem pensou em seus últimos minutos de vida?”, “Qual será a manchete de amanhã? Haverá manchete? Haverá jornal?”.
Depois do surto, a dor. Enquanto todos desejavam largar o que estavam fazendo para se recolher, por que é que eu estava fora de casa, mesmo? Antes de voltar, fiz outra loucura, percorri outros tantos quilômetros de uma ponta da cidade à outra, atravessando túneis, pontes e viadutos para apreciar o estranho vazio de São Paulo, as luzes dos carros que cortavam as marginais e também refleti sobre nossa fragilidade. Tantos pedestres desejando atravessar uma simples avenida, mas não o conseguiam. Primeiro porque não havia semáforo obrigando o motorista a parar, segundo que para enxergar um pedestre, só se ele estivesse sobre o capô de seu carro e olhe lá.
Quando me dei conta, estava em frente a casa “daquele que não deve ser nomeado”. Ligar não adiantaria, àquela hora já estava sem rede. Tocar a campainha? De forma alguma! Gritar o nome e bater palmas no meio da calçada como os meus antepassados? Nem pensar! Tudo isso passou pela minha cabela antes mesmo de reduzir a marcha, passei direto. Se morrer agora, sei que estive a poucos metros daquele que me faz inteira e feliz comigo mesma.
Antes que cometesse mais alguma loucura, decidi tomar as rédeas e guiar meu carro – que parece ter mais vontade que eu – para casa.
Já que estava na rua, o próximo desafio agora seria o de encontrar algum lugar para comprar cigarro. Bem perto de casa havia um posto de gasolina que funciona também como boteco. Pelo movimento ali, parecia que nada havia acontecido na cidade inteira.
Fui abordada por um bêbado, pedindo alguma moeda para olhar meu carro. Já dei cinqüenta centavos para que ele não continuasse baforando na minha cara.
Dentro do estabelecimento, lá estava o bebum. Ele não devia estar “olhando” meu carro? “Dá um cigarro de vinte e cinco centavos e uma dose de pinga” – falou o mal cheiroso. De cara retorcida e impaciente, o atendente respondeu: “A dose de cachaça custa R$ 1,50! As moedas que me deu não são o suficiente.”
O surto de gargalhadas retornou. “Que cachaça cara é essa, minha gente?” O fim do mundo está próximo e o homem vai negar uma dose da branquinha a alguém? Mas o bêbado me surpreendeu, tem um poder de persuasão e negociação sob altas doses alcoolicas. Uma moeda de R$ 1,00 comprou um cigarro e uma dose de 0,75 centavos de pinga. Enquanto pagava meu cigarro, vi o infeliz dando seu trago e bebericando sua marvada como se fosse uma bebida rara e sofisticada, porém, num copo descartável.
Hora de chegar em casa, tomar também da minha branquinha, fumar meu cigarro e adormecer. Se houver o dia de amanhã, faço questão de escrever. Se houver energia elétrica, compartilho com os leitores virtuais minha desventura na escuridão.

sábado, 7 de novembro de 2009

Uma Gota

Uma gota de vida que sai de você, preenche-me por horas do mais amargo e inexplicável prazer. Busco, em teus olhos fechados e lábios trêmulos, razão para sugar-te e reverter minhas silenciosas súplicas em manifestação de poder.
Ver que teu corpo inteiro está entregue à uma parte tão pequena do que sou, me dá por poucos minutos a sensação do total controle que exerço.
Uma gota de vida, duas gotas de suor, incontáveis lágrimas de solidão.