Circulo meus olhos em minha coleção de fotografias tuas. Em nenhuma delas eu enxergo a razão pela qual deveria confiar em você os meus segredos. Não há ruga ou expressão impressas em tua face nas quais inspirariam qualquer sentimento de liberdade ou compaixão. Teu sorriso por ora libertino ou de criança prestes a ganhar um presente, em nada me convencem do que poderia oferecer a você. Tuas mãos ásperas e ágeis, não conseguiriam segurar por muito tempo os desafios que trago em meu coração.
Sabe o que mais me impressiona nisso tudo? É a capacidade de relevar, de cooperar e, estranhamente, ignorar isso tudo e, novamente insistir. Sou a mais pura representação da teimosia. Confesso que passo horas fitando estas mesmas fotografias na tentativa de buscar respostas em que só eu poderei responder. O tempo não perdoa ninguém. Objeto fotografado e fotógrafo estão unidos no tempo. Assim como os retratos, nossas almas também envelhecem e amarelam com o tempo. Mas eu só desejo as respostas. Empoeiradas ou não, elas deverão surgir.
Enquanto investigo em tuas rugas as respostas, quem sabe consigo cicatrizar minhas feridas?
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
Sonoro Silêncio
No lugar de palavras, o silêncio. A tempestade que cobria meu frio coração deu lugar à uma brisa de paz. Ainda não entendi quais seriam os efeitos colaterais desta estranha entorpecência, sei apenas que durou o tempo necessário para que pudesse me entregar aos sons que produziu ao tocar-me. Você em silêncio, apreciando minha silhueta refletida na parede, e eu como um instrumento musical emitindo gemidos silenciosos e entregues ao prazer.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
O Defunto e o Coveiro
Antes de deixar para tras tudo o que amava e seguir os caminhos que decidi percorrer, digo a todos que ficam que serei solitário e egoísta ao experimentar deste momento tão meu. Serei o defunto e o meu coveiro ao mesmo tempo.
Decidi me afastar de todos em busca de respostas, mas até este momento só encontrei dúvidas e desilusão. Sempre deixei bem claro que deste veneno beberei até a última gota... não quero que ninguém sofra comigo também. Escolhi um canto úmido, sombrio para que pudesse ser eu mesmo o coveiro do que sobrar de mim. Me recuso a dividir esta tarefa com qualquer outra pessoa, independentemente do grau de importância que devo ter para ela. O que me importa agora, é só viver e sofrer da minha dor.
Dor esta que eu mesmo cultivei, tentando entender quais seriam os meus limites para isso. Estou perdido nesta dor e já não enxergo o caminho devolta. Já não sei mais o que é luz. Já não consigo compreender as tantas vozes que insistem em ecoar. Vozes familiares, algumas doces, outras sarcásticas. Sei que dentro deste abismo que criei para me esconder, nada parece lúcido. Algo me chama para fora deste sepulcro, mas já não tenho forças para sair dele. Já tentei algumas vezes completar esta tarefa, mas a minha insistente mediocridade me impede.
Sinto em minha pele agora um farfalhar de asas, esta brisa trouxe consigo milésimos segundos de paz. Posso me dar uma nova chance e abortar esta viagem? Poderia voltar ao começo e refazer meus passos?
Continua...
Decidi me afastar de todos em busca de respostas, mas até este momento só encontrei dúvidas e desilusão. Sempre deixei bem claro que deste veneno beberei até a última gota... não quero que ninguém sofra comigo também. Escolhi um canto úmido, sombrio para que pudesse ser eu mesmo o coveiro do que sobrar de mim. Me recuso a dividir esta tarefa com qualquer outra pessoa, independentemente do grau de importância que devo ter para ela. O que me importa agora, é só viver e sofrer da minha dor.
Dor esta que eu mesmo cultivei, tentando entender quais seriam os meus limites para isso. Estou perdido nesta dor e já não enxergo o caminho devolta. Já não sei mais o que é luz. Já não consigo compreender as tantas vozes que insistem em ecoar. Vozes familiares, algumas doces, outras sarcásticas. Sei que dentro deste abismo que criei para me esconder, nada parece lúcido. Algo me chama para fora deste sepulcro, mas já não tenho forças para sair dele. Já tentei algumas vezes completar esta tarefa, mas a minha insistente mediocridade me impede.
Sinto em minha pele agora um farfalhar de asas, esta brisa trouxe consigo milésimos segundos de paz. Posso me dar uma nova chance e abortar esta viagem? Poderia voltar ao começo e refazer meus passos?
Continua...
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Pincel e Palavras Emprestadas
"O amor acontece entre dois, mas a experiência de cada um não será necessariamente parecida. Amante e amado vêm de mundos diferentes. Muitos preferem amar a ser amado, porque o valor e a qualidade do amor são definidos pelo amante. O amado teme que o amante consiga o que busca: desnudá-lo inteiramente. O amante deseja qualquer contato com o amado, mesmo que desse contato resulte apenas dor."
Carson McCullers
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