quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Poda

Dizem que as primaveras devem sofrer para florescerem em abundância. Confesso que mesmo sem saber disso, eu deixei de regar algumas vezes, porém sempre estive disposta a buscar, mesmo em épocas que não haviam flores alí, inspirações e consolo para lembranças que não poderiam jamais ser revividas.

Indicaram uma pessoa para fazer a poda de alguns galhos já que estavam invadindo algumas janelas daquela construção fria e mórbida. Para o meu infortúnio e mais repleto desespero, cortaram-na em sua base.

Já não encontro consolo, não encontro sombra, não possuo flores para me despertar sorrisos maliciosos, muito menos "esquecerei" de regá-la. Do fino tronco que sobrou - ainda com raízes naquela terra seca-, dilacerado e sem vida virou o espelho o que sou agora: ferida aberta e exposta, sujeita a ressecar ou esperar melancolicamente uma nova florada.

Baunilha

Não é amargo, muito menos ácido.
Conquistou-me com certa ternura no olhar,
E com sutileza foste preenchendo meu paladar.

Assim como baunilha, que, em poucas doses
Faz toda a diferença naquilo que não podemos negar:
A sobremesa!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Visita Inesperada

Odeio sentir isso, mas sei que a Morte passou por aqui hoje. Não entendi muito bem o que ela me dizia, mas sei que estive nos braços dela. Uma forte vibração quente imobilizou-me, depois o ar começou a esfriar e meu corpo parecia não obedecer às ordens que dava para reagir.

Imobilizada fiquei por alguns instantes, até que este ar começou a mover os lençóis em que estava envolta. Quanto mais tentasse entender o estava acontecendo, mais distante ficara espírito e corpo. Juntei toda força dentro de mim e gritei: "Não me leve! Agora não!".

Um ar seco e frio tomou conta do meu quarto, lágrimas escorreram de meus olhos de súbito. Sabia que não era minha hora, mas ela passou por aqui para deixar seu aviso. Não devo continuar ignorando a presença dela.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Xirê

Na dança dos Orixás, sigo minha rotina:
Segunda-feira: "Laroiê, Eleguá" Danço o passo daquele que abre os caminhos para novas estradas, do brincalhão e sorrateiro Exú. Agradeço antes de tudo e sei que estará sempre disposto a ajudar nos momentos de grande decisão.
Terça-Feira: "Ogum Iê!"/"Arô Boboi, Oxumaré!" Se há algum infortúnio ou perseguição, sei que Ogum me protegerá. Abrirá meus caminhos, livrando-me dos inimigos visíveis, invisíveis e os de minha própria alma. Oxumaré trará alegrias e transformará meus pensamentos. Riqueza de espírito nunca me faltará.
Quarta-Feira: "Kaô Kabeciê Xangô"/ "Eparrei Oiá!" Das questões que me custem a ousadia e a ponderação ao mesmo tempo, sei que posso contar com estes dois Orixás. A sabedoria e justiça conferidas por Xangô e Iansã sempre me impulsionará a novos desafios, soprandAlinhar ao centroo aos meus ouvidos as palavras certas e o momento certo de agir.
Quinta-Feira: "Kokê arô, Oxossi!" Para que haja saúde e fartura, conto com o arco e flecha de Oxóssi. Alimento nunca me faltará à mesa. Agilidade e criatividade também estão presentes neste meu Xirê.
Sexta-Feira: "Exeu Epa BaBá" Obatalá, sem teu sopro de vida não teria movimento algum nesta terra. Serenidade e sabedoria para tomar as decisões corretas.
Sábado: "Odoiá Iemanjá"/"Orai ieu ieu, Oxum!" Meu Xirê não seria completo, sem a beleza das Iabás. Mesmo não possuindo filhos, que eu seja terna e haja com compaixão. Que estas qualidades tão admiradas, sejam em mim refletidas, pois ainda desejo intensamente viver o amor.
Domingo: "Bejé ó ró! La ô, Ibeji mi" De que me adiantaria tantas qualidades e bençãos se não encarasse os desafios do dia a dia com tamanha alegria? Ibeji, traga-me o espírito irrequieto e curioso que toda criança possui, só assim superarei tantos obstáculos. Há tanto por conhecer e viver, somente os olhos de uma criança poderiam dar a graça de reconhecer em coisas já velhas, mensagens novas.

*Imagem extraída do livro: Mitologia dos Orixás para Crianças de Reginaldo Prandi