Sempre odiei envolver-me em embates, discussões ou qualquer tipo de conflito. De alguma forma desviei e prorroguei muitos pontos finais ou de exclamação, subtituindo-os por numerosas reticências. Como Canela, afirmo: é impossível passar por esta vida ilesa.
Certo dia, ao agir com ironia diante de uma postura inesperada de uma figura considerada por mim como paterna, tive de ouvir as tais das "poucas e boas". Dentre tantas ofenças que foram subtamente regorgitadas, não houve tempo hábil para retrucá-las, apenas chorei como uma criança mimada e indefesa. Ouvir certas "verdades" não foi nada fácil, mas valeram muito!
Lembro-me somente de dizer uma coisa àquela pessoa: "Sempre te admirei e respeitei tanto! Como pode dizer e pensar coisas tão horríveis assim? Até pouco tempo foste o meu modelo, minha motivação para conquistar caminhos que rompessem a inércia em que meus antepassados sempre viveram." Diante desta declaração de amor e mágoa diluídas num líquido amargo ouvi algo que, naquele momento, não me fez o menor sentido: "Canela, ídolos são assim! Quando se está distante, não consegue enxergar as imperfeições que possuem. Quanto mais próxima, mais decepções poderá acumular. Cabe a você decidir se permanecerá amando ou não estes ídolos. Portanto, se desejar aproximar-se deverá ter a consciencia disso."
"Que coisa mais absurda é essa? De que raios ele está falando?", pensei. E o tempo passou, passou... e hoje compreendo em sua totalidade estas frases. Somos todos seres humanos independentemente da roupa, pompa, talento e pedestal onde subimos ou nos colocam. Algumas pessoas exigiram que eu subisse alguns degraus para chegar perto, outros desceram e vieram até mim. Mas o resultado é o mesmo: por melhor que sejam no que fazem, por mais que tenham transmitido sentimentos e valores profundos ou maléficos, sua condição humana - logo imperfeita - é latente. Ainda que seja difícil encarar algumas verdades também ensinadas por estes "ídolos", sigo na gangorra: hora próxima do mais límpido céu, hora com os joelhos feridos nos cascalhos do playground.
Afirmo: dos ídolos, mantenho distância até o momento em que também poderei amá-los em suas odiosas verdades.
Você expressou simplesmente tudo. Difícil demais amá-los em suas "odiosas verdades".Desejo que fique mais perto do céu, e com menos cicatrizes nos joelhos...
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