Há quem se esconde atrás da janela, há quem se revela através dela e há também os que observam o mundo por ela. Sou um pouco dos três. A Canela que se refugia, que se arrisca e também a que assiste ao ir e vir das pessoas. Não falo da janela real, esta que traz um pouco de luz ao meu quarto mal iluminado e um tanto abafado. Conto somente com a janela virtual.
Nestes três últimos dias sem poder usar o computador por diversos motivos, senti-me solitária, inerte, redundante... Usei praticamente todos os créditos do celular, desejava estar em contato. Ilusão pura.
Quando "Aquelequenãodevesernomeado" reapareceu através desta mesma janela, fiz de tudo para que as poucas frases que ele digitava madrugada afora pudessem preencher minha rotina desgastante. Não compreendo o por quê disso até hoje. Perdi meu tempo, minha vida, meu amor próprio. O que chegou até minha janela, não passou de uma versão virtual daquele ser que se despediu há tantos anos e levou minha guia, minha bula, meu "modo de fazer".
Nesta tentativa desesperada de refazer ou de reescrever um novo manual de instruções, substituí o oco pelo ócio. Perdi e ganhei coisas preciosíssimas, mas ninguém que conheci dentro desta janela saltou para o lado de cá com a intensão de me devolver o que insanamente deixei que levassem.
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