sábado, 17 de julho de 2010

Amor e lama no jardim da infância

E foi assim, de mãos dadas no parquinho da escola, que senti pela primeira vez o que vim chamar de cumplicidade depois de adulta. Era a única criança da escola que poderia encontrar fora dela. Claudemir, o único loiro de olhos verdes da escola. Sentava-se ao meu lado. Ele era meu amigo!

Infelizmente não me lembro do que é que brincávamos, muito menos se os encontros ocorriam com frequência. Sei que as lembranças não tem tempo exato, elas só permanecem!  A companhia de uma criança da mesma idade que eu, fazia-me sentir diferente das outras.

Sei que fui muito bundona, não gostava (e não gosto) de me meter em encrenca e temia perder a amizade dos outros. Fazia tudo o que a professora pedia. Repetia, inúmeras vezes, as letras que me ensinara. Sentia-me bem assim.

***
Sempre tivemos problemas com o despertador aqui em casa, e foi num dia como esse: chuvoso, frio... quase remelento que escorreguei descendo uma das vielas próximas à escola. Sujei todo o conga branco. Nem o uniforme verde musgo salvou-me da trajédia (grega) e de quebra, tomei uns puxões de orelha de minha mãe.

Ela nunca foi muito boa nisso também: sofre daqui e desconta em algo que nada resolverá.

Agora me diga? O que um puxão de orelha em uma criança suja de lama e atrasada para a escola , resolveriam? Só sei que foi naquele dia que experimentei a dor de um choro guardado. E se passei por semelhante experiência antes disso, não doeu tanto, afinal, não me lembro mais.

Atrasada, suja de lama, orelhas fervendo e um nó de arame farpado preso na garganta. Queria chorar... respirei e segui para a última cadeira, no fundo da sala. Não era o "meu lugar", mas o outro... aquele ao lado do meu amigo, tinha sido ocupado por outra menina.

Enquanto a professora foi buscar algo para ajudar-me a limpar a roupa, meu pesadelo ganhou um segundo capítulo:

- "ATRASADA! ATRASADA! ATRASADA!!!" - berraram meus coleguinhas, como numa torcida  em um estádio de futebol.

O nó de arame farpado se transformou num ouriço inflado. Não aguentei a dor e chorei.

Tenho raiva desse dia até hoje! Tenho raiva de mim e vou dizer o por quê:

Quando a professora retornou à sala, vendo-me aos prantos perguntou o que havia acontecido e a sonsa aqui - com medo de não ter alguém para brincar na hora do recreio -, respondeu:

- Nada. Acho que a mesa está me apertando um pouco na barriga, só isso.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amor de Anjo mais velho

Talvez, ser inexperiente, nos faça confundir os sentimentos. Talvez, este amor tão grande que sinto não se encaixe na categoria "platônica".

Sinto e sei que ele é real e recíproco, contudo, falta-me apenas amadurecimento para entender como o classificaria. E é esse amor assim, desclassificado, que carrego no peito,  que incentiva-me a sonhar e continuar caminhando mesmo com medo.

Nunca foi necessária tua presença física; teu amor e proteção caminham sempre comigo. É como na letra d'O Teatro Mágico, o amor que nos envolveu é o de "Anjo mais velho".

domingo, 11 de julho de 2010

Caçando palavras

Chega-se a poucas conclusões quando os pensamentos se embaralham sobre o travesseiro. Cercar algumas frases e mandá-las para uma arapuca parece insanidade.

Imerso no caos, o pensante deve tomar coragem e abandonar os cobertores. Deseja, finalmente, registrar sua demasiada inquietação. Esforço inútil! A tela do computador espanta a melhor das frases, a melhor das declarações de amor e ódio. Creia: listas de supermercado também se dissolvem!

E agora o pensante, sem pensamento algum, voltará à sua cama antes que ela esfrie.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vultos

Há vultos que não se desprenderão jamais de suas imagens.  Vejo diferentes vultos sobre um novo objeto a ser, teoricamente, descoberto. Vejo também receitas clássicas daquilo que nos atrai, novamente, à inércia. Do histórico que possuo, deveria estar ansiosa, apreensiva, sequiosa...

Não foi isso que ocorreu.

Estaria padecendo de algum distúrbio visual? Teria descoberto uma solução para o ceticismo? Só vejo a mistura do que atrai, inspira, reduz e fere...

Devolvo o presente à prateleira dos desejos ou enfeito minha estante de auto-flagelo?