domingo, 17 de maio de 2009

Mãos



Que o lugar sempre me fez acelerar o coração, isso não é novidade. Segui até o espelho, retoquei o batom e logo atrás estava você me observando. Mãos espessas, seguravam um cigarro e um copo com vodka.

Tuas mãos! Tuas mãos! Eu já as conhecia de algum lugar. Sem graça, segui de cabeça baixa até minha mesa. Teus olhos acompanharam meus passos. Preferi entender que poderia ser somente um engano. Depois de tanto tempo sem me sentir o foco de alguém, imagina que seria justamente você, o dono destas mãos a me desejar...

Esperaste muito tempo para se apresentar, a noite passou tão rápido! Mas não se preocupe, tuas mãos eu já conheço.

*Foto: Ana S. Carvalho

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Talvez

Talvez hoje pudesse esquecer que te disse não em outras situações. Meu corpo febril, apesar de derrubado na cama, não faz deixar de desejar o teu.

Talvez em meio a esse delírio, pudesse me render aos teus libidinosos e, muitas vezes inexcrupulosos anseios.

Talvez... talvez pudesse mesmo subir tuas escadas com uma coleira presa em meu pescoço e fizesse o meu "trabalho". Posaria para tuas fotos da maneira como deseja, ouviria teus gemidos de prazer e sentiria o peso te tuas mãos sobre minha pele.

Talvez hoje minha recompensa seria olhar em teus olhos e saber que bem dentro de tua alma, pode haver algum sentimento, mesmo que sorrateiro e barato.

Talvez não gostasse do que iria ver, logo, pediria apenas para que repousasse em tua cama para mais uma noite de sono pesado, saber que gozou e é feliz assim.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Zim Zum

Olha lá! Quem é este atrevido Zim Zum a me fazer tantas interrupções nas raras noites produtivas que possuo? Como se atreve a fazer propostas maliciosas sem nem saber quem sou ou do que NÃO sou capaz de fazer?

Foi de certa forma paciente, entreguei-me às suas fantasias e logo estava em um ônibus, disposta a viajar horas a fio para vivenciar algo que talvez não faria em outra ocasião. Zim Zum. Tão rápido entreguei-me aos teus inseguros braços. Tão breve, senti algo que me trouxe lágrimas aos olhos e meu corpo se deixou conduzir aos seus doces lábios.

Mea culpa.

O que me resta?


Do que me resta?
Teu sorriso alegre,
inspira-me diversas traquinagens.
De teu olhar sério,
sujeito-me às tuas regras.
Das tuas propostas,
Falta-nos somente tempo para botar em prática.
Dos teus retratos,
Sobra-me inspiração.
Do teu sarcasmo,
Resta-me a ironia.
De sua praticidade,
Sujeito-me a usar somente os dedos.



*1000imagens.com/Carlos Manuel Pereira